A Pílula do dia seguinte (PDS) pode proteger de uma gravidez não planeada, mas não de infeções sexualmente transmissíveis

O sexo é  parte fundamental da nossa vida. No entanto, sabias que segundo a Organização Mundial de Saúde mais de 1 milhão de pessoas contrai por dia uma infeção sexualmente transmissível? 1 Não preciso dizer-te que este é um número muito, mas mesmo muito, elevado. Informação não nos falta, está por toda a parte. Sabemos como praticar sexo seguro e as consequências a que estamos sujeitas quando não usamos qualquer tipo de proteção. Mas, será que, mesmo tendo conhecimento do risco que corremos, o mesmo nos pesa na consciência? Vamos deixar o prazer de parte e pensar única e exclusivamente na nossa saúde!

As Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST)

Existe um grande número de IST, por definição infeções contagiosas, cuja forma mais frequente de transmissão acontece através das relações sexuais. Estas podem ter origem em bactérias, parasitas, fungos e vírus. Algumas são facilmente tratáveis com antibióticos, mas existem outras que permanecem no organismo e para as quais não existe cura, o que implica tratamento durante toda a vida.

Sempre que iniciares uma relação deves falar abertamente com o teu parceiro sobre relações anteriores, de modo a prevenir os riscos de contrair uma IST.

No nosso blog, falamos frequentemente sobre a pílula do dia seguinte e os métodos contracetivos regulares para prevenir uma gravidez não planeada, mas nunca nos podemos esquecer que o preservativo (tanto masculino como feminino) constitui o método mais eficaz para evitar uma IST. Estas podem ser contraídas tanto por mulheres como por homens, e os sinais e sintomas nem sempre se manifestam. Em muitas ocasiões podemos ser portadoras de uma IST sem o saber! Com graves consequências para a nossa vida, quer em termos de fertilidade, quer em termos da saúde em geral. Algumas IST podem evoluir até à morte quando desconhecidas e não tratadas!

A prática de sexo seguro é a melhor forma de prevenir a infeção.

Assim, e porque uma IST nem sempre se manifesta de forma clara como já percebeste, é muito importante consultares um ginecologista, mesmo que não apresentes quaisquer sintomas, e fazeres rastreios regulares, através de exames clínicos e laboratoriais. A prevenção e a identificação precoce são a melhor forma de evitar complicações de saúde mais graves. Como diz o ditado: mais vale prevenir que remediar.

É fundamental encontrares profissionais de saúde com os quais te sintas confortável para conversar e que possam assegurar o teu acompanhamento.

Existem mais de 20 tipos de infeções sexualmente transmissíveis diferentes. Neste post vamos abordar algumas das mais comuns:

Infecções Sexualmente Transmissíveis ITS

VIH-SIDA (vírus da imunodeficiência humana)

Esta é uma das IST mais conhecidas. Trata-se de um vírus que afeta o sistema imunitário e que se encontra no sangue, sémen e nos fluidos vaginais de pessoas infetadas.

A prevenção desta infeção passa pela utilização do preservativo e pela não partilha de objetos que possam ter estado em contacto com fluidos contaminados. Os sintomas são parecidos aos de uma gripe como a febre e a dor de cabeça. Não existe uma cura para a infeção pelo VIH, sendo que o seu tratamento passa pela administração de uma terapêutica anti-retrovírica durante toda a vida.

Herpes Genital

O herpes genital é uma IST provocada pelo vírus herpes simplex do tipo 1 (que provoca lesões na mucosa oral) ou pelo vírus simplex do tipo 2 (lesões nos genitais ou ânus) através do contacto sexual, sendo uma das infeções mais frequentes. Tem um período de incubação que vai entre três a sete dias. Carateriza-se pelo aparecimento de vesículas e lesões na área genital provocando dor, prurido e ardor ao urinar. Detetar este vírus nem sempre é fácil o que faz com que muitas vezes seja transmitido sem que saiba da sua existência. O herpes não tem cura mas, existe tratamento para atenuar os sintomas. Como não existe cura, o seu reaparecimento é recorrente.

Clamídia

É uma infeção bastante comum, do tipo bacteriano, transmitida por via sexual, que infeta as membranas mucosas do ânus, boca e áreas genitais. Os sintomas mais frequentes são mais sentidos pelas mulheres do que pelos homens e incluem corrimento genital anormal ou dores ao urinar.

Combater esta bactéria é fácil, mas se não a tratarmos as consequências podem ser fatais com complicações na hora de engravidar e provocar uma gravidez ectópica.

HPV

O cancro do colo do útero é uma doença que resulta de infeções persistentes pelo Vírus do Papiloma Humano, o HPV. Esta infeção é muito comum já que este vírus vive na pele ou nas membranas mucosas, ou seja transmite-se através do contacto de pele com pele. O HPV não causa sintomas e propaga-se sobretudo pelo contacto sexual.

Existem mais de 100 tipos de HPV todos com consequências diferentes e zonas preferenciais de infeção. Algumas pessoas desenvolvem verrugas genitais, os chamados condilomas que podem provocar cancro, ou alterações pré-cancerígenas no colo do útero, vulva ou  pénis.2

Em Portugal, a Vacina contra o HPV está incluída no Plano Nacional de Vacinação, sendo gratuita para todas as raparigas a partir dos 10 anos. E está disponível também para outras pessoas (de forma não gratuita) mediante prescrição médica.

Estudos recentes sugerem que a vacina contra o HPV pode ser benéfica mesmo para quem já vive com a infeção.

O HPV também é responsável por verrugas genitais e anais.

O contágio ocorre por via sexual mas também pela partilha de toalhas. As verrugas podem aparecer no pénis, vagina, cérvix, ânus e escroto. O seu aparecimento tanto se pode manifestar após algumas semanas como em alguns casos um ano após a infecção. O tratamento passa pela aplicação de produtos químicos, crioterapia (frio), laser CO2 ou cirurgia. 

Hepatite B

Trata-se de uma Infeção viral que ataca o fígado e pode causar doença aguda ou crónica. As consequências mais graves são a cirrose hepática (cicatrização do fígado), o cancro no fígado e a morte. Esta infeção raramente é detectada no seu início pois não apresenta sintomas.

O vírus da Hepatite B (VHB) é altamente contagioso e as suas principais vias de transmissão são os fluidos genitais (esperma e secreções vaginais), fluidos corporais (sangue, urina e saliva), e o leite materno.

Não há medicação para combater diretamente o agente da doença. Tratam-se os sintomas e as complicações. Existe uma vacina contra a Hepatite B que é considerada como o meio mais seguro e eficaz na prevenção.

Gonorreia

É uma infeção causada por uma bactéria que geralmente não apresenta sintomas, no entanto, pode causar dor pélvica, hemorragia, febre, corrimento, dor ou ardor ao urinar. A consequência mais grave, no caso das mulheres, é a infertilidade. Nos homens, há um maior risco de desenvolver cancro da próstata 3. Para este tipo de infeção o tratamento é normalmente feito com antibióticos.

Sífilis

É uma infeção bacteriana que se transmite por via sexual, de mães para filhos durante a gravidez e pelo contacto direto com sangue contaminado. A Sífilis Primária caracteriza-se por uma úlcera indolor no ponto de exposição da bactéria e pode aparecer nos genitais, na uretra, no ânus e no colo do útero, bem como nos lábios e na boca.  4

A sífilis é normalmente tratada com penicilina.

É fundamental conhecer todas estas infeções transmitidas por via sexual, já que algumas destas são muito comuns em Portugal. Nunca é demais recordar que, o preservativo é a única forma de prevenção. Espero que ao leres este post percebas o quão importante é praticar sexo seguro. Se assim é, não deixes de partilhar!

Referências

1. WHO, Sexually transmitted infections (STIs),Fact sheet, Updated August 2016
2. condiloma.org/complicaciones/
3. www.apf.pt/infecoes-sexualmente-transmissiveis/gonorreia-blenorragia
4. www.apf.pt/infecoes-sexualmente-transmissiveis/sifilis