A TPM ao longo da história

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Três quartos das mulheres portuguesas1 em idade fértil tem “aquela altura do mês” em que andam mais emocionais, inchadas, irritadiças… Mas porquê? A resposta é TPM.

A TPM – Tensão Pré-Menstrual

A Tensão Pré-Menstrual, é um problema que afeta mulheres em idade fértil com menstruações regulares. Consiste num conjunto de sintomas físicos, psicológicos e emocionais, que se manifestam alguns dias antes da menstruação.

Apesar de cerca de 75% das mulheres terem sintomas pré-menstruais, estes só constituem uma doença, a Síndrome Pré Menstrual, se forem severos e sistemáticos, e se, de alguma forma, incapacitarem a vida das mulheres.

Os sintomas pré-menstruais mais comuns são:

  • Cólicas menstruais;
  • Tensão mamária;
  • Cansaço;
  • Inchaço nas pernas;
  • Dores de cabeça;
  • Flutuações de humor;
  • Stress;
  • Ansiedade;
  • Estados depressivos ou tristeza;
  • Aumento ou diminuição da libido.

Se não és uma das mulheres sortudas que quase não sentem o período, conheces bem alguns (ou todos) destes sintomas. Hoje em dia a sociedade e a medicina já reconhecem que as mulheres são, de facto, afetadas por mudanças hormonais antes e durante o ciclo menstrual. No entanto, ao longo dos anos, nem sempre foi assim tão fácil de entender.

A história sexista da TPM

A TPM era, até há bem pouco tempo, considerada uma doença imaginada, inventada pelas mulheres. Para certas pessoas, algumas da comunidade médica, continua ainda a ser.

Séculos XVII e XVIII

Recuando aos séculos 17 e 18, certos sintomas de TPM eram considerados “histeria feminina” – basicamente, tudo que uma mulher fazia que os homens não compreendiam era histeria.

De facto, a palavra histeria deriva de “hystera” que significa útero. E se por um lado, os sintomas de TPM eram associados a histeria, a histeria era completamente associada a ser mulher. Sim, a histeria era uma doença mental exclusivamente feminina.

Século XIX

Durante anos, “tratamentos” horrendos como a histerectomia foram praticados em mulheres de todas as idades. Os médicos acreditavam que o útero era o culpado de todos os comportamentos histéricos das mulheres, e então, para seu bem, retiravam-no. Estes comportamentos incluíam emoções descontroladas, medos, ansiedade, irritabilidade, tristeza – sentimentos que muitas vezes estão associados à TPM.

Ainda assim, tudo era atribuído á histeria, desde convulsões até ao simples e natural desejo sexual – diz-se que certos médicos usavam “massagem pélvica” para aliviar certos sintomas de histeria.

Século XX

O primeiro relato médico da TPM data de 1931, quando o médico americano Robert Frank publicou um artigo em que descrevia as causas hormonais da TPM. A histeria feminina, contudo, só deixou de ser considerada uma doença real nos anos 50.

Século XXI

Atualmente, a discórdia em relação à TPM é que é um fenómeno cultural e uma construção social, que se deve entre outros a hipocondria. Existe ainda quem defenda que as mulheres, ou parte delas, usam a TPM e a Síndrome Pré-Menstrual como desculpa por conveniência, e que o simples facto de se falar disso, faz com que se pense que sofre disso.

A TPM afeta muitas mulheres e traz um sofrimento real. Se és uma dessas mulheres: não estás sozinha! O que achas da história da TPM? Partilha!

 

1 Metis Med, Síndrome pré-menstrual, Joana Novo, Sara Leite, 29/04/2016